LENDO GIBI EM TRÊS ÉPOCAS DIFERENTES

 

Aos 7 anos

Em 1987.

O garotinho adorava ler gibis. Preferencialmente do Incrível Hulk.

À espera do ônibus, o garoto de 7 anos tentava folhear gibis mesmo que impedido pela mulher da banca. Todavia, ele insistia em ler mesmo sem comprar porque não tinha nenhum centavo pra comprar um gibi. A mulher que perdeu a paciência o atacou, mas os vinis que ele empurrou ao correr caíram.

O garotinho já estava com a sua mãe e a mulher foi ao redor deles:

Moça, seu filho quebrou todos os vinis quando ele escapou acabou empurrando.

Não quero mais vê-lo.

Esse garotinho não recebeu castigo.

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Aos 11 anos

O ano em que Collor caiu por conta da corrupção.

No verão, a barraca instalada no acampamento da praia do Cassino, o garotinho de 11 anos ficava na revistaria de tarde até a noite lendo quase todos os gibis e a mãe dele teve de ir até lá buscá-lo. A revistaria foi a zona de conforto pra ele porque não gostava de praia.

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Aos 24 anos

Apenas era um cara que trabalhava pra pagar as contas além de estudar a ponto de se tornar um profissional qualificado.

Ele fazia questão de ler gibis escondido da sua namoradinha porque ela não gostava de ler.

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Pausa.

Eu adoro ler gibis – Pensou Jovem Boêmio, que estava prestes a sair da sua máquina de escrever pra pegar uma cerveja gelada, na qual ele havia escrito um conto sobre a importância de ler gibis.

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Ela foi minha professora

    Jovem Boêmio tivera uma ideia praticamente humana e foi correndo até o seu apartamento a ponto de se enfiar na cadeira diante da sua velha máquina de escrever, que fora comprada no final do século XX- foi jogada no lixo em meados de 2002, mas foi recuperada em 2006 após um longo hiato sem escrever – . Porque tal mulher surgia na sua mente, cujo elemento fora sua professora de história quando ele cursava ensino médio. Preparado para contar mais outra história, começava a costurar seu tecido:

– Professora?

– Sim?

Terminei de fazer a prova.

– Pode me entregar.

– Ok, deixa eu guardar minhas coisas na minha mochila

– Ok. – A professora se mostrava belamente paciente com ele

– Pronto. A minha prova está aqui, professora. – Jovem Boêmio a estendia para ela

– Obrigada!

– De nada – Jovem Boêmio fazia questão de brincar de bonzinho com ela

    Na semana seguinte, a professora anunciava que quem tirou a nota mais alta foi Jovem Boêmio, que causava certo incômodo aos seus colegas. E em seguida ela recomendava que seus colegas devessem fazer outra prova para obter nota alta. Entretanto, seus colegas foram em cima dela, uma forma de protesto. Porque o método dela era muito cruel para eles – eles mesmos achavam que sim. Jovem boêmio saiu triunfado por não necessitar fazer outra prova.

  Aquele momento foi marcante para mim, Jovem Boêmio dizia a si mesmo enquanto escrevia sua história visualizando suas lembranças deleitáveis.

  Catorze anos depois, eles voltavam a se ver, ou melhor, se encontrar a convite da sua professora, que era tão culta quanto ele. Antes eles trocavam ideias pelo facebook, cuja rede social era inevitavelmente viciante para muitos. Depois do cinema, foram a um hotel para inaugurar a relação carnal deles. Mas isso foi em 2010, ou melhor, quatro anos atrás. E foi um clima romanticamente amigo. Ela foi minha professora e atualmente é minha amiga. Devo dizer que é um imenso orgulho tê-la como minha amiga e companheira de cinema e literatura. Ela sempre me dá muitas sugestões de livro ou filme. E me admira muito como escritor (de gaveta, ok). Eu faço a mesma coisa, ele dizia a si mesmo enquanto ela refrescava a memória do Jovem Boêmio.

   Ao terminar a história (embora o final fosse meio incompreensível), Jovem Boêmio parava para pensar: por que não ligo para ela para combinarmos um encontro como aquele?

A porta na caneta

 

Por Diogo Madeira

A Caneta é jornalista e não para de colecionar prêmios de melhor jornalista. Segundo os críticos,  a escrita dela é muito “extraterrestre” no sentido de talento. Ela tem grande admiração por Vlado Herzog, o jornalista revolucionário assassinado no período da ditadura militar. Há boatos de que ela declina muitos convites – para ela considerados burgueses – para trabalhar na Globo, o que não lhe é pertinente. E o nome verdadeiro dela? Caneta. Coincidentemente, o seu nome se ampara ao jornalismo por gostar de escrever. Ela, por formidável que pareça, tem flexibilidade política, no entanto, sente-se bem trabalhando em jornais alternativos, especialmente relacionados à literatura, cuja paixão lhe é eterna desde pequena. A própria, além de escrever,  até desenha muito bem! (no mínimo faz ilustrações infantis). A Caneta é doutora em teoria da literatura. O seu tesão pelos estudos é perpétuo, algo que muitas pessoas não têm. (ela acha)

A literatura latina americana é a predileção dela por nascer no Brasil, bem no Rio Grande do Sul, que era a sondagem para transformá-lo num país, mas o negócio político não deu certo. Ela devora até quatro livros ao mesmo tempo. Mas quando tal palavra lhe é desconhecida? O dicionário ou o contexto frasal dá conta. Ela se dá bem nas entrevistas consideradas tensas, o que é a parte fascinante para seus colegas. Ela é eficiente em entrevistar personalidades fechadas. Por isso muitos jornais alternativos desejam contar com ela. Chega a hora da entrevista mais importante para ela. Ela tem de ir até a casa de uma mulher, segundo as fontes, considerada a informante autêntica sobre um escritor que se suicidara na época de 1960. Como de praxe, ela está preparada (sempre antecipa seu equipamento antes de ser chamada para o serviço jornalístico) para realizar a entrevista mais importante do sistema solar. Todavia, acontece que a mulher a ser entrevistada não deseja atender a porta, ou seja, bate a porta na cara da caneta depois de contemplá-la quando abriu lentamente a porta. A Caneta fica aborrecida porque tal coisa como essa nunca lhe afetara antes. Psicologicamente humilhada, ela cogita mudar de profissão. Mas para ela é difícil porque ela é uma caneta, cuja função que ela possa exercer é escrever textos.

Fica aqui meu carinho por escrito

     Todos sabem que escritor é sinônimo de produzir ideias literárias. Naquele dia em que se realizou o encontro (mais incomum para os que o jovem boêmio conhecia).  A mulher que o jovem ia encontrar era meiga e deslumbrante na questão da literatura. Ela era metida a escritora, e os escritos sempre o impressionavam. Ela era tão invocável quando se tratava dos assuntos complexos. O corpo dela, conforme o ponto de vista do jovem, era uma poesia indígena. O nome dela era Lana Lane. Ela e o jovem boêmio foram eventualmente inimigos em razão das desavenças ideológicas, no entanto, tempos depois, eles se amadureceram bastante graças à aspiração de letras literárias. Por isso que eles voltavam a se falar, embora as desavenças persistissem, porém controladas.  Eles se tornavam amigos.

    Finalmente Lana Lane e o jovem boêmio combinavam de tomar café a ponto de se verem pessoalmente pela primeira vez, o que era a coisa que causava medo às pessoas distantes (sabem como é, né?). Como eles moravam em estados diferentes, o jovem boêmio viajava ao estado dela – não por ela, sim para curtir as suas férias antes de retornar ao trabalho -, e durante a estada dele na terra da garoa eles conseguiam marcar um encontro via whatsapp, uma benção tecnológica. Era uma tarde ensolarada. Na casa das flores perto da avenida acordada (interpretada como movimentada). Lana Lane chegava primeiro, e o jovem boêmio precisava mandar um torpedo a ela avisando que ia se atrasar um pouco. Mas o tempo de atraso era pequeno devido à existência do metrô, cujo transporte facilitava muito a vida de muitos. Aparentemente ansioso, o jovem boêmio se encontrava com Lana Lane. Os sorrisos deles se falavam por uns segundos ao passo que a distância entre eles se reduzia. Depois eles emitiam tais coisas convencionais tipo oi, tudo bem, tudo certo e vamos. E depois da troca de abraços, eles foram ao local gastronômico cultural (aquele prédio era internamente híbrido, museu e cafeteria). A ideia da troca de presentes literários que eles haviam sugerido foi concretizada perante os cafés cariocas – café típico da terra da garoa.

    O café estava forte, mas foi açucarado pelo jovem boêmio. Lana Lane, ao contrário do seu amigo, curtia café forte. Começavam a conversar de verdade, mas a felicidade tomava a conta deles, visto que eles haviam se falado virtualmente por muitos anos. Kubrick foi o assunto momentâneo. Eles concordavam que Laranja Mecânica era o melhor filme do Kubrick em razão da criatividade cinematográfica. O jovem boêmio pedia outro café, e quando o café dele chegou Lana Lane que tinha jeito de brincalhona dava dezenas de saquinhos de açúcar ao seu amigo, pois percebia que ele não curtia café forte, ou melhor, café sem açúcar. Eles tinham uma coisa em comum: se formaram em Comunicação Social. Inclusive exibiam a intimidade aguda com a literatura e o cinema. Ela pegava o bloco de notas do jovem boêmio a ponto de querer deixar um registro:  “só para o caderno não ter sido em vão, na última instância… fica aqui meu carinho por escrito!”. Depois do feito, eles brincavam de tirar fotos, registrando os momentos do encontro – o jovem boêmio o considerava um dos melhores encontros que ele já teve em sua vida. Ao se despedirem, eles se abraçavam intensamente, cujo contato físico indicava o prazer galáctico. No seu apartamento, enfiado na sua máquina de escrever,  a tese que o jovem boêmio havia concluído: Os olhares opostos fortalecem a amizade deles graças à penetração dos que tinham se encontrado há pouco tempo à literatura de Milan Kundera. Obrigado, Kundera. Se não fosse por você, eu não conheceria Lana Lane.  O jovem boêmio fechou o texto com muita alegria. Antes de se atirar na cama, ele ainda dizia a si mesmo como se estivesse conversando com um fantasma: acho que não vou conseguir me esquecer daquele encontro mágico.  Ele até cogitava colocar o seu bloco de notas no qual Lana Lane havia deixado o seu registro num cofre, o que, para ele, era a coisa tão valiosa.

O primeiro encontro íntimo

Era uma tardinha escaldante sim, escreveu o jovem boêmio no seu diário. O encontro ocorreu no Rio, e eles se encontravam. A mulher levava o jovem boêmio com quem ela tinha conversado pela internet ao apartamento dela. Ao chegarem ao destino, o jovem boêmio ficava pasmo com a decoração arquitetônica interna, que lhe parecia a casa das fantasias. E evidenciava-se que a vida da mulher não era insossa. Ele concluía que a casa das fantasias era uma coisa que muitas pessoas sonhavam ter. A mulher foi ao banheiro, o jovem ficava sentado no sofá aconchegante assistindo à TV. Do nada aparecia a mãe da mulher ao seu redor perguntando onde estava a mulher. Ele mal respondia que ela estava no banheiro. Durante o jantar a mãe dela não parava de elogiar o lado escrevinhador do jovem boêmio, pois ela havia lido seus escritos, ou seja, seu blog literário. No dia seguinte, o jovem boêmio, como de costume, vasculhava os livros que estavam na estante. O pai da mulher que estava assistindo a um filme o chamava: Você escreve muito bem. Está olhando os livros? No fundo tem muitos livros. Fica à vontade para apreciar meus tesouros. O jovem boêmio surpreso ao ouvir, indagava ao pai dela: Sério? Obrigado! Você leu meus escritos? O pai dela que se chamava Hemingway afirmava com a cabeça balançada. Quando o sol saiu da Terra, não resistiam à excitação, o jovem boêmio e Peneolpe foram praticar o ato amoroso num quarto estreito, cujo lugar era para visitantes. Durante a estadia na cidade da Peneolpe, muitas livrarias alternativas foram visitadas por eles. Sem dúvida, foi o melhor encontro íntimo que ele já teve, finalizou o texto o jovem boêmio

A estrada

    A estrada é uma coisa infinita significativamente conforme muitas pessoas acreditam. Ela nos abre várias linhas, bem parecidas com as do mundo do Pac-Man, um jogo marcante dos anos 80. Nem todas são seguras, o que resta a prevenir a morte é a cabeça do condutor em referência à consciência. Para mochileiros a estrada é um ponto atrativo em razão da assimilação de culturas distritais além das paradas gastronômicas (que preparam comidas caseiras, aquelas façanhas da zona rural). Os sinônimos de estrada são prazer, estresse, aventura, sofrimento, violência e amor. É equivocado se dizer que a estrada é cansativa e tampouco agradável, uma questão que pode ser definida de acordo com o olhar do viajante. Os termos mais constantes em estradas são cansaço e estresse quando o assunto é trabalho, cujo fato é inegável. O mochileiro, diferente do trabalhador, tem a liberdade de viajar pra onde quiser com o intuito de buscar novos conhecimentos regionais e colher dados para o seu exercício acadêmico.

    No dia 16 de outubro, um dia excessivamente ensolarado, o rapaz caminha a quilômetros a fim de conseguir carona – conduzindo o seu braço pra cima como sinal de carona. Com a mochila nas costas, de roupas leves e tênis All Star, uma marca que engloba frequentemente, o rapaz é mestrando em História da Literatura – está escrevendo uma dissertação, o título é as estradas são irmãs da Literatura. Finalmente o carro para ao lado dele, indicando que atende ao pedido do rapaz:

– Ô garoto, pra onde você vai? – Perguntou o motorista com a aparência de empresário por causa do que está vestido (usa o terno).

– Pra qualquer lugar. Digamos, depende de você. – Replicou o jovem.

– Vou para a Colônia Maciel para visitar a minha mãe. – Esclareceu o motorista.

– Maravilha! Dá pra eu descer antes de você ir pra o destino decidido. – Aceitou o jovem, que estava prestes a entrar no carro.

Hoje está muito quente, não é? Bom, o que você faz? – Começou a puxar um papo o motorista ao passo que dirige o carro em direção à Colônia Maciel.

É verdade. Sou mestrando em História da Literatura. – Respondeu timidamente o jovem.

Que bacana rapaz! Você tem futuro! Eu sou um empresário e larguei os estudos quando eu estava prestes a concluir o Ensino Médio. Mas mesmo assim estou bem financeiramente. – Explicou o motorista ao jovem.

Sei como é. O problema é que eu não sei parar de estudar. Vivo andando pelas estradas porque gosto de explorar tais coisas exóticas. – Compartilhou o jovem com o motorista.

Estamos perto da Colônia Maciel e pode me dizer onde vai descer, ok? – Alertou o motorista.

Pode ser aquele lugar que tem matos – Apontou para o lugar detalhado o jovem.

  Após trocarem os cumprimentos, o jovem caminha até o Templo das Águas onde ele vai passar pelo menos uma semana para terminar a sua dissertação. Ele decide manter o título da dissertação, pois entende que a estrada lhe traz inúmeras inspirações.

Amizade de ouro

Por Diogo Madeira

Tal Aniel. Tal mulher. Tal pessoa de sexo feminino. Ela é uma pessoa incomparável. Ela não é muito exposta à sociedade em razões da sua timidez (de acordo com ela). Leitora ávida, ela lê muitos livros e abastece suas ideias para o seu blog. Ela dirige, porém, sem paciência. Quando cheira engarrafamento, ela vai de ônibus para evitar o possível acidente, já que a impaciência a persegue desde que ela nasceu. Ela tem diploma de mestre. A sua dissertação fala sobre a existência das bruxas no Rio azul. Agradada, a banca examinadora sugere que ela a publique numa revista científica. Mas que ela ainda não publica por conta da preguiça (a melhor companheira da Aniel). O seu objeto preferido da casa é a sua poltrona, para dormir e ler um bom livro. Curiosamente, ela dorme com frequência na sua poltrona do que na sua cama. Segundo ela, a poltrona traz sonhos.  E a cama, ao contrário, só pesadelos. O seu dia a dia é muito agitado. Ela fica fora da casa a maior parte do tempo, ou seja, ela não sabe como ficar em casa por muito tempo. Talvez falta de hábito. Ela coleciona os filmes do Woody Allen e os livros do mesmo autor. No ponto de vista dela, o Allen é o único que tem capacidade de seduzir as  mulheres. Entretanto, não somente a sedução, a inteligência dele também acrescenta muito em mulheres. A exemplo de que a Diane Keaton que foi namorada dele faz sucesso na sua carreira de atriz graças ao Allen. Aniel não pensa em ser atriz, visto que ela não possui habilidades teatrais. Ela tem talento: caçar erros gramaticais em artigos e livros. Ela é formada em Letras. A paixão pela leitura a levou a esse curso. Além de craque em correção de textos, ela é insone, vive brigando com o sono. Mesmo com o parceiro na hora de fazer amor, conforme a revista científica afirma que a vida sexual faz a pessoa sentir sono, porém, a própria Aniel não. Uma baita estranheza. Mas ela está acostumada com a falta de sono. Ela é uma mera mulher como qualquer mulher, só que a sua inteligência é apreciável (pouquíssimas pessoas conseguem identifica-la). No dia do encontro com o seu amigo que ela não vê faz muito tempo, o encontro foi providenciado por eles através do facebook, a rede social imbatível nos últimos tempos. O encontro aconteceu na avenida mais movimentada, Dona Girafa. O seu amigo chegou primeiro e depois ela. Mas ele sabia que ela chegaria atrasada devido à longa distância. Eles foram ao restaurante para saciar o estômago. Depois trocaram os presentes alternativos, por fato de eles serem aficionados por literatura e cinema. Eles se conheceram na internet. A amizade deles completa cinco anos.  Eles se entendem muito bem quando se trata de assuntos complicados. A ideia do relacionamento, eles não cogitam, ou seja, não pensam nisto mesmo eles têm se correspondido com frequência. No restaurante, depois do desjejum, eles ficaram conversando até a lua entrar no lugar do sol – os restaurantes fecham à meia noite no Rio azul. Eles se despediram e tomaram caminhos diferentes. Ela foi à zona terrestre e ele à aquática. Eles pintaram uma amizade tão bonita. A amizade vale mais ouro que o dinheiro vivo.