A inspiração momentânea

  Enquanto se dando conta de que estava inspirado graças à presença de sua namorada, o jovem boêmio resolveu parar de caminhar para dar um pulo no bar aparentemente boêmio pela decoração artística para poder escrever suas ideias no seu bloco de notas que sempre fora levado com ele em viagens, que era o ritual dele. A ação do escrevinhador começava:

  Fui à laranja. Mas não estou falando da fruta crua. Refiro-me ao suco de laranja que pedi. Ao meu ver o suco de laranja era idêntico ao corpo de Bettie Page. Atrevi-me a tomar esse suco de laranja e saí doente (no sentido de feliz). Tomei o táxi (naquele momento eu estava sem grana) e felizmente fui chutado do carro pelo taxista, o que me era uma ocasião menos embaraçosa. Todavia, o que era mais complicado era a minha mulher que estava no apartamento dela por mim para podermos ver o filme juntos, que comprei pela internet. Ela não tinha mais aquela paciência porque na maioria das vezes eu não cumpri meus deveres culturais, e, inclusive, ela chegou a almejar romper o relacionamento comigo. Será que desta vez vai acontecer de verdade?, pensei eu. Conquanto a minha relação com ela fosse tão saudável baseada na nossa química incansável, nem isso era suficiente para contestar a decisão da mulher de concretizar essa ideia , ou seja, não havia nada de anormal nesse assalariamento, o que garantia a longevidade amorosa a nós.

   Já terminou? – A namorada dele interrompeu o trabalho literário do jovem boêmio. Não… ainda não… e dê-me mais dez minutos, por favor – Respondeu suplicamente o jovem. Entretanto, a inspiração decidiu abandonar o jovem boêmio, daí ele não tinha mais o que deve escrever. Perdição total. Em vez de tentar escrever, o jovem boêmio, visivelmente frustrado, guardou o seu bloco de notas na mochila e dizia à sua namorada: Vamos voltar à nossa caminhada que eu havia interrompido por conta daquela inspiração? A namorada dele, mesmo sequer terminava seu suco de frutas vermelhas ainda, não pensou duas vezes e atendeu à sugestão repentina dele. Já que o intuito dele, obviamente, era trazer a inspiração de volta.

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A estrada

    A estrada é uma coisa infinita significativamente conforme muitas pessoas acreditam. Ela nos abre várias linhas, bem parecidas com as do mundo do Pac-Man, um jogo marcante dos anos 80. Nem todas são seguras, o que resta a prevenir a morte é a cabeça do condutor em referência à consciência. Para mochileiros a estrada é um ponto atrativo em razão da assimilação de culturas distritais além das paradas gastronômicas (que preparam comidas caseiras, aquelas façanhas da zona rural). Os sinônimos de estrada são prazer, estresse, aventura, sofrimento, violência e amor. É equivocado se dizer que a estrada é cansativa e tampouco agradável, uma questão que pode ser definida de acordo com o olhar do viajante. Os termos mais constantes em estradas são cansaço e estresse quando o assunto é trabalho, cujo fato é inegável. O mochileiro, diferente do trabalhador, tem a liberdade de viajar pra onde quiser com o intuito de buscar novos conhecimentos regionais e colher dados para o seu exercício acadêmico.

    No dia 16 de outubro, um dia excessivamente ensolarado, o rapaz caminha a quilômetros a fim de conseguir carona – conduzindo o seu braço pra cima como sinal de carona. Com a mochila nas costas, de roupas leves e tênis All Star, uma marca que engloba frequentemente, o rapaz é mestrando em História da Literatura – está escrevendo uma dissertação, o título é as estradas são irmãs da Literatura. Finalmente o carro para ao lado dele, indicando que atende ao pedido do rapaz:

– Ô garoto, pra onde você vai? – Perguntou o motorista com a aparência de empresário por causa do que está vestido (usa o terno).

– Pra qualquer lugar. Digamos, depende de você. – Replicou o jovem.

– Vou para a Colônia Maciel para visitar a minha mãe. – Esclareceu o motorista.

– Maravilha! Dá pra eu descer antes de você ir pra o destino decidido. – Aceitou o jovem, que estava prestes a entrar no carro.

Hoje está muito quente, não é? Bom, o que você faz? – Começou a puxar um papo o motorista ao passo que dirige o carro em direção à Colônia Maciel.

É verdade. Sou mestrando em História da Literatura. – Respondeu timidamente o jovem.

Que bacana rapaz! Você tem futuro! Eu sou um empresário e larguei os estudos quando eu estava prestes a concluir o Ensino Médio. Mas mesmo assim estou bem financeiramente. – Explicou o motorista ao jovem.

Sei como é. O problema é que eu não sei parar de estudar. Vivo andando pelas estradas porque gosto de explorar tais coisas exóticas. – Compartilhou o jovem com o motorista.

Estamos perto da Colônia Maciel e pode me dizer onde vai descer, ok? – Alertou o motorista.

Pode ser aquele lugar que tem matos – Apontou para o lugar detalhado o jovem.

  Após trocarem os cumprimentos, o jovem caminha até o Templo das Águas onde ele vai passar pelo menos uma semana para terminar a sua dissertação. Ele decide manter o título da dissertação, pois entende que a estrada lhe traz inúmeras inspirações.