Defender a cultura surda o tempo todo é impossível

Por Diogo Madeira

Resolvo escrever um texto indignante por intermédio das críticas que eu recebi ultimamente por não defender a cultura surda cuja questão peculiar – para quem aprecia em algumas comunidades divergentes quando os militantes foram insultados pelos opostos. É uma espécie de guerra disputando pela terra.  Mas que ela se considera uma das minhas outras culturas, digo, faz parte da minha multiculturalidade. Eu a (cultura surda) tenho, porém, não prioritariamente. Não é pertinente que eu diga a todos que a minha é surda. O meu passatempo é conhecer culturas diferentes, ao menos. Existem tipos de círculo de amigos diferentes. Há algumas pessoas que não gostem da cultura dos geeks. Mas eu tenho apreço por ela. Ninguém é obrigado a assimilar essa. A questão de comunicação cuja posição eu trato como uma reflexão séria, uma vez que eu creio que a comunicação exige entrosamento entre emissor e receptor na formação da mensagem. Eu me pergunto: a ordem cultural deve ser prática? Ou as culturas devem estar no mesmo nível? A outra coisa que me deixa entusiasmado é a cultura surda voltar a ser questionada conceitualmente a ponto de se redefinir por conta das desavenças em comunidades relacionadas com a surdez. Trata-se de revisão conceitual. Pois o conceito de cultura é complexo e também é definido de acordo com a área pertencente a quem atua. Quem é dono da razão? Talvez não exista essa função. Porque a antropologia fala outra coisa acerca da cultura e a educação outra coisa. Aí o conceito de cultura surda acaba sendo indefinido e revisado. E vêem as outras questões intrigas: etnocídio; extinção cultural; linguística cultural. Expressões agressivas (eu entendo) em momentos errados, ou seja, em discussões desnecessárias. Dentre elas que foram mencionadas constantemente para deixar as chamas acesas em campos relacionados com a surdez.  No sentido antropológico, a cultura se vê como uma representação civil, simplesmente. A despeito disso, reitero mais uma vez, a cultura surda deve ser revisada conceitualmente a fim de pôr o fim de vez nas brigas intermináveis Sou um jornalista, ou seja, defensor da verdade. Assim como o V de Vingança (sujeito anarquista que usa máscara do símbolo do teatro para cobrir o rosto). Devo lhes dizer que naquele momento em que eu não defendi a cultura surda (eles acharam que eu não defendi, mas eu estava defendendo) quando a discussão estava ficando feia porque constatei uma razão que os opostos expressaram e aí optei por mudar de direção para mostrar que eu era apenas um participante, trocando ideias com todo mundo (sendo do meu lado e do oposto) a ponto de ganhar pontinhos para meus neurônios. Para isso, pretendo entrar para o mestrado em antropologia (a minha futura orientadora sugeriu devido à minha proposta científica). Torcem por mim.

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Obrigação?

Por Diogo Madeira

Aí, enfim, vem a primeira crônica exclusivamente sobre a surdez após precisar pensar neste assunto por um longo instante em razões de eu não me sentir bem escrevendo sobre a referida questão. Esta referência me é inextinguível. Por quê? Eu não tenho como escapar do que sou. O escapar, eu sei, não soa bem para todos, pois é certo embaraço. Não que pensem que eu exponha certo preconceito quanto a isto. Geralmente, o preconceito, ou melhor, a desinformação se situa sempre em algum lugar, para lhes aborrecer de forma repentina ou esperada. E o dia em que eu fui ao aeroporto e o atendentente me disse depois de providenciar o meu bilhete: precisa de acompanhante? E eu respondi, de modo consciente, que não. Não obstante a importância do acompanhante a ponto de não deixar o passageiro surdo perder o voo por falta de informações evidentes. Pois bem. Há os dois lados que resultem em embaraço e conforto. Faz tempo surgiu uma coisa que me deixou curioso: surdismo. Todavia, por enquanto, sem conceito definido – está em aberto para conceituá-lo o mais rápido possível, uma vez que muitos pesquisadores vão querer o utilizar para tecer da maneira possível para apresentar as provas reais e tal. Para ser franco, esta ideia parece-me exímia porque é um assunto especial para quem queira saber se da forma como  a comunidade surda faz. Estou falando isso, pois fui possuído por um escritor tão latente que a maioria irá jamais conhecê-lo profundamente por questões de divergência ideológica. Inaugurei este título por vários motivos. Um deles é que a vontade de escrever leva-me a concretizar o que eu reflito neste espaço tão amplo virtualmente para que os meus queridos leiam por curiosidade e raiva. Cabe-me ressaltar uma coisa que vem se metendo em nós há muito tempo: a cultura surda é apenas uma cultura ou não? E por mais incrível que pareça, o surdo que opta por não ser fanático por ela é ‘pedrejado’ por devotos por cultura surda. Por quê? Esse ato me lembra a idade cristã em que o povo se sentia ofendido por ver o pesquisador que ignorava a importância da religião. Creio eu, que, o porquê será respondido em breve. Ao menos será replicado com consciência para não deixar que algo nos fere desnecessariamente. A obrigação é um meio que traz benefício e prejuizo, dois substantivos inimigos a todos. Por intermédio das pessoas mais próximas, ou melhor, dos militantes da comunidade surda que eu considero a fonte confiável, a proposta da constância das escolas bilíngues para surdos está ameaçada por capangas do MEC –  que favorece à ideia da escola inclusiva, embora os resultados sejam negativos. É lamentável ver eles tentando da maneira absurda e depreciando as explanações da comunidade surda acerca dos insucessos da metodologia da escola inclusiva. Posso afirmar que a luta contra esses males é obrigatória para não haver mais aflição aos surdos que não conseguem aprender o que queriam o suficiente por razões linguísticas. Voltando ao assunto da obrigação, ela vai tanto para o bem quanto para o mal, dependendo do que for para nós. Reitero mais uma vez que o porquê será respondido em breve.