Furacões sentimentais e sociais

Em outubro de 2017. No mês de desgostos. Eu era um escritor de gaveta apesar de ter meus textos literários publicados em dois livros coletivos. Minhas nadadeiras em um mar de pepinos de diversas naturezas eram perpétuas. Eu estava concentrado no meu doutorado e em outras coisas; praticamente desplugado de minhas ilhas sentimentais e sociais. Aliás, foi um descuido brabo, equivalente a gritos de fome de leão no sentido de ausência de atenção.

A dois dias do seminário voltado pra literatura em que eu ia apresentar meu trabalho, fruto das leituras sobre testemunho e memória literária, recebi dois vídeos da minha namorada: chegou a hora de ficarmos apenas amigos e outros blábláblás referentes ao motivo da sua decisão de decretar o fim do namoro. Foi uma pedra e tanto para mim. Não, uma rocha mesmo. Não tive coragem de responder aos seus vídeos em razão de ter estado concentrado na minha viagem.

Dois dias se passaram, com uma grana bem curta, antes de comprar a passagem ao destino, por onde eu participaria do referido seminário, tive de esperar o sinal verde, para saber se eles iam atender minha solicitação para que eu ficasse por dentro do decorrer das palestras e da roda de trabalhos. Faltavam vinte e cinco minutos pro ônibus que eu pegaria partir. Finalmente chegou o e-mail afirmando a disponibilidade do recurso comunicativo, e fui como Papa-Léguas até a rodoviária. Com a passagem comprada na mão, desci correndo do segundo piso ao box seis em que o ônibus pretendido estava.

Para renovar meu fôlego, cai no sono. Só que não. Durante a estrada, eu trocava vídeos com as intérpretes de Libras pelo Whatsapp com o intuito de contextualizá-las do meu trabalho. A minha apresentação estava marcada para às 16h. Eu estava chegando em Porto Alegre-RS, mas a esta exata hora. Assim que desci do ônibus fui tomar um táxi até a PUC-RS. Quando entrei na PUC-RS, perguntei ao segurança onde ficava o tal prédio em que o seminário estava sendo realizado. Fui correndo pelas escadas até o terceiro andar. Fiquei com a impressão de que fui treinado para escapar de incêndios pela agilidade que eu usei pra subir as escadas. Encontrei a sala, entrei e abri meu notebook. As duas intérpretes de Libras já estavam prontas fazia um tempo. A apresentação do meu trabalho foi realizada com êxito. Houve perguntas pertinentes e elogios em relação à minha pesquisa. O planejamento, mesmo que de alto risco, deu certo. Persistência fazia parte do meu vocabulário. Após a roda de trabalhos fui ao meu hotel. Morto de cansaço. Com uma baita vontade de tomar uma ducha bem gelada.

Sem falar com a minha namorada ainda, com exceção de que postei o registro da minha apresentação no Facebook, para minha mãe ficar tranquila. O porquê de não falar com a minha namorada era tratado com cautela que decidi adotar para não ficar arrependido depois.

No dia seguinte fui ao seminário. Foram três dias acadêmicos. Na minha última noite em Porto Alegre, eu estava sentado na poltrona vendo um filme na tv, e recebi um whatsapp da minha namorada: boa noite, querido. está tudo bem?

Sensibilizado com a sua mensagem, respondi que sim e tal.

Diante de meus problemas amorosos e pessoais, metaforicamente, teve uma luz em minha cabeça, uma ideia. Vinda da minha namorada, por assim dizer de forma indireta.

Praticamente decidido ficar com ela pra sempre, enviei uma resposta pra ela: estou com saudades de ti.

Depois que voltei pra minha cidade logo restabeleci tudo o que estava em desordem. Se não fosse por ela, eu não seria capaz de orquestrar meus problemas. Ela conseguiu acabar com o mês de desgostos. Cumplicidade e determinação se traduzem em sucesso e prosperidade. O negócio de agora em diante era tentar valorizar minha namorada. Tornei-me outra pessoa. Praticamente disposto a alterar meus movimentos cotidianos, dividindo minha atenção com todos, pessoais, profissionais, financeiros, familiares, incluindo a mulher ao meu redor. Antes eu não conseguia dar atenção a ela porque a minha cabeça estava cheia de problemas e tarefas, o que sugeria que eu estivesse desorientado. Graças à luz dada por ela, encontrei uma solução, que muitos não conseguiriam imaginar, para aquela desordem sentimental e social.

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O livro de Luis Fernando Veríssimo no hotel Arpini

Depois da aula da Pós, justamente no dia do meu aniversário (de 30 anos), fui diretamente ao Hotel rio grandino denominado Arpini (optei por ficar em Rio Grande, pois tinha a aula bem cedo do dia seguinte para evitar o desgaste mental). Pude dizer que foi muito engraçado ficar num hotel no dia do meu aniversário, mas ao mesmo tempo muito legal.

Quando eu estava no meu quarto a ponto de me preparar para o banho, no entanto, recebi um torpedo da minha amiga dizendo:

Estamos aqui, desça. Beijos.

Respondi imediatamente: Vou descer. Beijos.

Tinha três pessoas me esperando: duas mulheres e um homem. Duas mulheres foram boazinhas comigo, menos o homem. Talvez ele não tivesse o mesmo olhar político delas, talvez o desejo delas de me ver fizesse ele se sentir arrastado até estar no meu hotel para cumprimentar um jovem acadêmico. Um embaraço evidente nele, sem sugestões para rever aquela atitude.

Diante delas, recebi abraços calorosos incessantes. Depois o homem fez questão de me abraçar – fiquem ligados, ele era fanático pela Fórmula 1.

Foram 32 minutos e 22 segundos de conversa porque estava muito tarde para eles, pois haviam vindo da faculdade também.

Depois dos abraços e beijos (para elas) distribuídos, subi até o meu quarto e fui logo ao banheiro.

Cheiroso e mais leve, atirei-me à cama e peguei meu livro que eu trouxe para me fazer companhia para exterminar o tédio: Comédias para se ler na escola, dado pela minha amiga, que era fã de Luis Fernando Veríssimo também.

Praticamente engolido o livro em uma hora e poucos minutos por mim, peguei no sono. A ideia de ficar num hotel foi o melhor momento de ter feito mais um ano de vida. Graças ao Veríssimo, acordei inacreditavelmente renovado.

Falcão e Minhoca

Por Diogo Madeira

Falcão vivia no céu e Minhoca na terra. Eles tinham suas desavenças quando se tratava da política. Todavia, os pensamentos do Falcão não agradava a maioria dos bichos, pois lhes eram muito impertinentes. Sem base. Os da Minhoca, bastante paradoxos aos da ave, conquistavam a confiança dos bichos. O fato era, logicamente, que Minhoca era o bicho mais inteligente do planeta que Falcão. Dentro do solo, ela tinha uma biblioteca invejável que muitos bichos sonhavam em ter uma dessas. Entre as nuvens, Falcão se acolhia em um ninho – inacessível a qualquer bicho, exceto as outras espécies de ave – que estava estabelecido em uma montanha mais alta.

   Aturdido, Falcão decidira armar um plano diabólico para atacar os bichos: fazer um discurso acerca do cotidiano dos bichos. O discurso foi feito em vídeo e o próprio Falcão o postou no youtube, que era um espaço para vídeos independentes. Rolou um compartilhamento meteórico em toda a selva. Os bichos ficaram indignados e não sabiam se defender.

  Coruja conseguia alertar a tempo a Minhoca da ameaça do Falcão. O bichinho mais inteligente estava em casa lendo o livro intitulado 1984 escrito por George Orwell, e a campainha tocou. Foi atender à porta e Coruja estava, apavorada. Consolada pela Minhoca, foi levada à sala de estar e contava doidamente a ela:

Falcão nos atacou! Ele fez um discurso terrível em vídeo! E está no youtube e virou uma polêmica pra todos nós! Ele nos chamou de primitivos por não sabermos distinguir a linguística animal! Ele falou isso? Indagou Minhoca, curiosa. Sim, sugiro que você deva contemplar o vídeo aterrorizador. Recomendou Coruja. Obedecida, Minhoca foi ligar o seu laptop e em seguida, acessava à internet a ponto de entrar no youtube. Ela ficou perplexa depois de ver o vídeo e mal conseguia se pronunciar: Por que ele fez uma dessas coisas? Digamos, não entendemos a intenção dele. Vou solicitar um duelo intelectual com ele. Disse decididamente Minhoca.

   A solicitação foi feita em forma de carta. Pombo foi levá-la até o ninho do Falcão. Ao ler a carta, Falcão relutava em aceitar o convite da Minhoca em razão da sua intelectualidade inferior à dela. Pois Falcão havia criticado que a língua animal era muito pobre por ser incapaz de formar palavras e inclusive destacava que a língua dos bichos não era válida para a compreensão plena e ainda citava o exemplo de que um bicho não fazia ideia do que era uma boca.

  Três sois depois sem resposta à Minhoca, dessa vez, o mandado jurídico foi enviado ao ninho do Falcão graças ao empenho do Urso do STS – Supremo Tribunal Selvagem. Assustado, praticamente impossível de recusar o convite, Falcão respondia por escrito, marcando o duelo com Minhoca. A resposta dele deixava os bichos vibrados de felicidade, pois sabiam que Minhoca era a grande esperança para silenciar os bicudos dele.

   O grande dia chegou. Muitos bichos apareciam pontualmente conforme o horário combinado. O duelo ficava no meio das bananeiras, dois intelectuais se sentavam em folhas grandes improvisadas como cadeiras e Coruja como mediadora, ou seja, presidente do duelo. Milhares de bichos ficavam atentos ansiosamente ao duelo mais importante da história do animal. Antes de começar a guerra intelectual, Coruja saudava aos bichos presentes: Boa tarde, senhores e senhoras. A presença de vocês certamente vai prestigiar nossos intelectuais. Quero que vocês saibam que, neste momento peculiar, sou imparcial, pois vou coordenar o debate. Falcão, está pronto? Minhoca?

Sim! – Falcão e Minhoca emitiam a mesma expressão.

Coruja fez uma pergunta ao Falcão: por que acha a nossa língua pobre?

   Aparentemente nervoso, Falcão mal respondia: porque é uma língua precária, digamos, não é similar a demais línguas devido à ausência da estrutura gramatical. Ao meu ver, ou melhor, ao ver da comunidade externa – em referência aos humanos -, é uma língua minoritária que é incapaz de conceituar palavras. Está equivocado! Protestou Minhoca. Vai dizer que a língua indígena não é relevante? Sugiro que você faça uma revisão no seu conhecimento da linguística, pois você é professor de língua animal. As suas teorias não estão claras, digamos, são como pontos escuros, incapazes de ser acessíveis a qualquer bicho e tampouco à comunidade externa, visto que os humanos são sensíveis como os bichos. E você não.

Coruja à Minhoca: por que acha que a língua dos bichos não é minoritária?

É minoritária! – Corrigiu Minhoca. No sentido da linguística, qualquer língua minoritária é valorizada sim, assim como as línguas indígenas. A Libras, a língua dos surdos, é relevante, por exemplo. Portanto a nossa língua possui regras gramaticais sim apesar de estar carece de palavras específicas. O problema que está em nossa direção é Falcão, que não quer ser como nós. Coruja, considere essa minha resposta como réplica final a esse debate. Exijo votação para definir a permanência do Falcão em nossa comunidade. Já que estamos em democracia.

  O pedido da Minhoca foi atendido, ou seja, os bichos que estavam presentes apoiavam a ideia do bicho mais inteligente. A votação foi realizada pacificamente. O número de votos contra a permanência do Falcão foi grande. O ameaçador foi condenado e o ninho dele foi desocupado além de ser exonerado da universidade animal. A vitória da Minhoca sobre Falcão virou manchete em todos os veículos. Doze luas depois, os bichos escolhiam Minhoca como Presidente da FA – Federação Animal. Graças à ela, a língua dos bichos foi citada constantemente por países de primeiro mundo.

Me emocionei e você?

 Por Diogo Madeira

Eu não aguento ver a invisibilidade do escritor surdo Jorge L. Guimarães no meio do mundo dos surdos. Isso me dói, francamente. Tenha plena certeza que muitos surdos não sabem da origem dele, visto que a época dos anos 60 em que ele vivia, ainda não tinha internet. Aí a época dele era presa à ditadura. Talvez lá o compartilhamento de informações era restrito. E a editora (me é desconhecida) que publicou o livro não era de grande expressão. Por isso estou reforçando a importância do conteúdo dele (o livro “até onde o surdo vai”) que não foi divulgado o bastante. Vou repetir o que eu havia dito em outro texto: ele era o melhor de milhões de surdos que tentaram escrever literariamente porque Guimarães sabia se expressar na escrita, e porém, ao mesmo tempo, tinha se defendido das desavenças das pessoas a respeito do seu talento.

O que tem de interessante ele é a postura, sabendo lidar com todos os sentimentos em relação ao que caber a ele. Tenho me perguntado como ele conseguia mandar suas crônicas para o jornal O Globo. Até onde eu sei, este jornal é uma das principais referências de jornalismo na atualidade. Esses dias eu comentei disso com meus amigos. Eles também carregam a mesma dúvida que eu. Uma vez que a escassez de informações me deixa aflito, e estou tendo dificuldades para desvendar a origem dele. No Rio, eu indaguei aos meus amigos do Jorge, no entanto, nenhum deles questionados pôde ajudar, segundo ele, o Jorge é um elemento invisível. Ele tem razão. Para mim, ele é uma lagarta depois borboleta inalcançável. Ainda mais que eu me sinta na obrigação de colocar o escritor surdo na mídia a ponto de as pessoas saberem da sua caneta literária no meio do mundo dos surdos (não tenho a vontade de rotular cada surdo, tipo sinalizado, oralizado ou bilíngue porque não tenho querido perder meu tempo com isso).

…. p … par pa p

………….

O jovem boêmio parou de escrever na sua máquina de escrever.  Ele detestava do laptop, pois acreditava que a máquina de escrever o deixasse mais inspirado.

Amor? – chamou a sua esposa. Estou aqui, no meu escritório. – Respondeu o boêmio, eles moravam juntos, no entanto, de forma democrática, ou seja, não civilmente. Eles se conheceram numa festa. E eram apreciadores do amor livre. Ela trabalhava como roteirista de quadrinhos e o jovem tentava seguir a carreira de escritor. Eles eram surdos, porém, valorizavam a vida ao invés de ficarem presos numa única cultura (cultura surda).  Como está indo o seu livro? – Indagou a mulher. Devagar. Estou sem inspiração. – Replicou o jovem. Que tal nós cairmos fora pra tomar umas cevas até a inspiração te voltar? – Sugeriu a mulher. Por que não? Sorriu o jovem.

Amor, antes de sairmos, quero te mostrar uma coisa. O jovem pegou o livro extremamente amarelado que estava prestes a se despedaçar em razão da ação do tempo e estendeu-o à mulher: leia o prefácio do Jorge Bloch, que era grande camarada de Jorge. Eu tentei localizá-lo por meio do google, mas vi que numa notícia ele havia falecido faz tempão. Perdi essa oportunidade de obter as informações reais sobre o escritor surdo. Localizar a família dele é complicado, visto que lá no google não tem muita coisa. Vá para as últimas linhas, sugeriu o jovem.

Instruída, ao olhar para o jovem que estava aguardando a leitura dela, a mulher lia:

É uma simpatia ambulante, uma inteligência lúdica, um espírito de escólio. Quis que eu escrevesse algumas linhas para prefaciar seu livro, em que reune algumas de suas belas crônicas, de suas ideias limpídas, de seu ideal luminoso.

 

Basta que lhes conte um fato para que fiquem sabendo quem é.

 

Quando me procurou com seus artigos admiráveis eu observei:

 

– Jorge, se eu encontrar alguma coisa que eu considere errada, que eu considere imprópria, em seu livro, posso corrigir?

 

Jorge sorriu e com esse escrúpulo fabuloso, próprio de almas puras e privilegiadas, observou protestando:

– Mas se o senhor for emendar o meu livro… o livro não será mais meu!

 

Não toquei em nenhuma palavra, em nenhuma linha.

 

Não fiz nenhuma observação.

 

Só quero deixar aqui consignada a minha admiração por Jorge. Eu não diria que Jorge é um grande homem, apesar de sua surdez. Não. Talvez eu devesse dizer que ele é um homem admirável justamente por ser surdo. Por conservar dentro de sua alma generosa essa beleza, essa pureza, essa grandeza.

 

Todos os que lerem suas crônicas compreenderão o que quero dizer. Vocês verão que ele, feliz como é, jamais se preocupa com seu próprio problema. Reparem como vive o problema dos outros. Esse livro é um livro de bondade, de ternura, de luz, de compreensão.

 

Jorge, eu tenho um orgulho imenso de me considerar seu amigo. Como é que você sem ouvir consegue ouvir muita coisa?

A mulher, ao terminar de ler, ficou sem palavras. Você se emocionou? – Perguntou o jovem. Sim. – Respondeu aos prantos a mulher. Eu leio isso muitas vezes, e, desde então estou com essas palavras comoventes sobre o Jorge na minha cabeça. – Confessou o jovem. Você anda se inspirando nele para o seu livro, né? – Observou a mulher emocionada, ainda aos prantos. Ela deixou o livro, ainda aberto, no chão e conduzia o jovem para o quarto. Mudança de planos, em vez de irem no bar, eles foram fazer amor, celebrando o mistério de Jorge L. Guimarães.

Amizade de ouro

Por Diogo Madeira

Tal Aniel. Tal mulher. Tal pessoa de sexo feminino. Ela é uma pessoa incomparável. Ela não é muito exposta à sociedade em razões da sua timidez (de acordo com ela). Leitora ávida, ela lê muitos livros e abastece suas ideias para o seu blog. Ela dirige, porém, sem paciência. Quando cheira engarrafamento, ela vai de ônibus para evitar o possível acidente, já que a impaciência a persegue desde que ela nasceu. Ela tem diploma de mestre. A sua dissertação fala sobre a existência das bruxas no Rio azul. Agradada, a banca examinadora sugere que ela a publique numa revista científica. Mas que ela ainda não publica por conta da preguiça (a melhor companheira da Aniel). O seu objeto preferido da casa é a sua poltrona, para dormir e ler um bom livro. Curiosamente, ela dorme com frequência na sua poltrona do que na sua cama. Segundo ela, a poltrona traz sonhos.  E a cama, ao contrário, só pesadelos. O seu dia a dia é muito agitado. Ela fica fora da casa a maior parte do tempo, ou seja, ela não sabe como ficar em casa por muito tempo. Talvez falta de hábito. Ela coleciona os filmes do Woody Allen e os livros do mesmo autor. No ponto de vista dela, o Allen é o único que tem capacidade de seduzir as  mulheres. Entretanto, não somente a sedução, a inteligência dele também acrescenta muito em mulheres. A exemplo de que a Diane Keaton que foi namorada dele faz sucesso na sua carreira de atriz graças ao Allen. Aniel não pensa em ser atriz, visto que ela não possui habilidades teatrais. Ela tem talento: caçar erros gramaticais em artigos e livros. Ela é formada em Letras. A paixão pela leitura a levou a esse curso. Além de craque em correção de textos, ela é insone, vive brigando com o sono. Mesmo com o parceiro na hora de fazer amor, conforme a revista científica afirma que a vida sexual faz a pessoa sentir sono, porém, a própria Aniel não. Uma baita estranheza. Mas ela está acostumada com a falta de sono. Ela é uma mera mulher como qualquer mulher, só que a sua inteligência é apreciável (pouquíssimas pessoas conseguem identifica-la). No dia do encontro com o seu amigo que ela não vê faz muito tempo, o encontro foi providenciado por eles através do facebook, a rede social imbatível nos últimos tempos. O encontro aconteceu na avenida mais movimentada, Dona Girafa. O seu amigo chegou primeiro e depois ela. Mas ele sabia que ela chegaria atrasada devido à longa distância. Eles foram ao restaurante para saciar o estômago. Depois trocaram os presentes alternativos, por fato de eles serem aficionados por literatura e cinema. Eles se conheceram na internet. A amizade deles completa cinco anos.  Eles se entendem muito bem quando se trata de assuntos complicados. A ideia do relacionamento, eles não cogitam, ou seja, não pensam nisto mesmo eles têm se correspondido com frequência. No restaurante, depois do desjejum, eles ficaram conversando até a lua entrar no lugar do sol – os restaurantes fecham à meia noite no Rio azul. Eles se despediram e tomaram caminhos diferentes. Ela foi à zona terrestre e ele à aquática. Eles pintaram uma amizade tão bonita. A amizade vale mais ouro que o dinheiro vivo.

Defender a cultura surda o tempo todo é impossível

Por Diogo Madeira

Resolvo escrever um texto indignante por intermédio das críticas que eu recebi ultimamente por não defender a cultura surda cuja questão peculiar – para quem aprecia em algumas comunidades divergentes quando os militantes foram insultados pelos opostos. É uma espécie de guerra disputando pela terra.  Mas que ela se considera uma das minhas outras culturas, digo, faz parte da minha multiculturalidade. Eu a (cultura surda) tenho, porém, não prioritariamente. Não é pertinente que eu diga a todos que a minha é surda. O meu passatempo é conhecer culturas diferentes, ao menos. Existem tipos de círculo de amigos diferentes. Há algumas pessoas que não gostem da cultura dos geeks. Mas eu tenho apreço por ela. Ninguém é obrigado a assimilar essa. A questão de comunicação cuja posição eu trato como uma reflexão séria, uma vez que eu creio que a comunicação exige entrosamento entre emissor e receptor na formação da mensagem. Eu me pergunto: a ordem cultural deve ser prática? Ou as culturas devem estar no mesmo nível? A outra coisa que me deixa entusiasmado é a cultura surda voltar a ser questionada conceitualmente a ponto de se redefinir por conta das desavenças em comunidades relacionadas com a surdez. Trata-se de revisão conceitual. Pois o conceito de cultura é complexo e também é definido de acordo com a área pertencente a quem atua. Quem é dono da razão? Talvez não exista essa função. Porque a antropologia fala outra coisa acerca da cultura e a educação outra coisa. Aí o conceito de cultura surda acaba sendo indefinido e revisado. E vêem as outras questões intrigas: etnocídio; extinção cultural; linguística cultural. Expressões agressivas (eu entendo) em momentos errados, ou seja, em discussões desnecessárias. Dentre elas que foram mencionadas constantemente para deixar as chamas acesas em campos relacionados com a surdez.  No sentido antropológico, a cultura se vê como uma representação civil, simplesmente. A despeito disso, reitero mais uma vez, a cultura surda deve ser revisada conceitualmente a fim de pôr o fim de vez nas brigas intermináveis Sou um jornalista, ou seja, defensor da verdade. Assim como o V de Vingança (sujeito anarquista que usa máscara do símbolo do teatro para cobrir o rosto). Devo lhes dizer que naquele momento em que eu não defendi a cultura surda (eles acharam que eu não defendi, mas eu estava defendendo) quando a discussão estava ficando feia porque constatei uma razão que os opostos expressaram e aí optei por mudar de direção para mostrar que eu era apenas um participante, trocando ideias com todo mundo (sendo do meu lado e do oposto) a ponto de ganhar pontinhos para meus neurônios. Para isso, pretendo entrar para o mestrado em antropologia (a minha futura orientadora sugeriu devido à minha proposta científica). Torcem por mim.

Quem é Jorge Sérgio L. Guimarães?

Por Diogo Madeira

 

A metade geográfica do nosso Brasil não faz ideia de quem é Jorge Sérgio L. Guimarães e a outra sabe que ele escrevia crônicas para o jornal O Globo nos anos 50. Sobre o quê ele produzia artigos? Sobre as suas vivências. E a sua surdez. Eu posso afirmar que ele é muito misterioso para mim porque realizei pesquisas intensas no Google para obter informações sobre ele e não achei nada dele. Vou ser franco com vocês que atuam na área da surdez, os escritos dele me encantaram. O que ele escreveu é extraordinariamente admirável e ele chegou a me ‘hipnotizar’ em algumas crônicas. Em outro momento eu conversei com a minha amiga acerca do escritor que eu li, aí ela considerou ele como o misterioso surdo de 1961 – o livro foi lançado no mesmo ano e por sinal não teve grande repercussão nesta época e ainda não descobrimos o motivo do insucesso. É só questão de tempo. A despeito disso, eu comentei do livro que li com empolgação para ela que é doutoranda em lingüística, a qual eu admiro muito desde que nós nos conhecemos. De forma carinhosa, combinei com ela que eu darei uma cópia do meu livro, para acabar com a curiosidade que a está matando depois de falar do referido que deixara a minha amiga faceira. A conversa que eu havia com ela há pouco tempo me parecia empolgante porque nós interagimos sobre as novidades que aconteceram em nós nos últimos dias. Pois as nossas idéias são mútuas por nós termos o mesmo gosto pela leitura. O livro que eu li se chama ‘Até onde o surdo vai’. É raro para ser achado, eu diria. Foi um árduo trabalho para eu conseguí-lo por meio do site denominado Estante Virtual, uma rede de sebos. Ontem ele chegou na minha casa, em forma de carta simples – por mais que me surpreendesse, ele chegou de São Paulo à minha cidade em três dias. As folhas do livro são amareladas devido à ação do tempo, no entanto, o que me deixa mais empolgado ainda é a forma original como o livro é. A minha conclusão franca é que este livro que escritor surdo escreve é melhor por questões de conteúdo que eu já li, embora ele destacasse o método oralista em algumas crônicas, deixo que claro que não podemos culpar a época dele. O que importa, no meu ponto de vista, é que o escritor que lançou esse livro se sentia bem com o que pensava na hora de produção textual. Não tem como se segurar para não lhes deixar embaraçados. De alguma maneira eu também não me calaria. No livro ele falava um pouco de sua vida. Ele era funcionário do ministério da fazenda. Ele ainda destacava o empenho de sua mãe que o levara a aprender a falar e a ler nos lábios. Contudo, pouca coisa que ele abasteceu no seu livro. A pergunta me cutuca, ou melhor, nos toca: será que ele fez faculdade? De quê? Eu acredito que a sua origem acadêmica está longe de ser descoberta, por falta de dados. Mesmo que me pareça misterioso esse sujeito, não vou olvidar o que li regozijamente.