Ela foi minha professora

    Jovem Boêmio tivera uma ideia praticamente humana e foi correndo até o seu apartamento a ponto de se enfiar na cadeira diante da sua velha máquina de escrever, que fora comprada no final do século XX- foi jogada no lixo em meados de 2002, mas foi recuperada em 2006 após um longo hiato sem escrever – . Porque tal mulher surgia na sua mente, cujo elemento fora sua professora de história quando ele cursava ensino médio. Preparado para contar mais outra história, começava a costurar seu tecido:

– Professora?

– Sim?

Terminei de fazer a prova.

– Pode me entregar.

– Ok, deixa eu guardar minhas coisas na minha mochila

– Ok. – A professora se mostrava belamente paciente com ele

– Pronto. A minha prova está aqui, professora. – Jovem Boêmio a estendia para ela

– Obrigada!

– De nada – Jovem Boêmio fazia questão de brincar de bonzinho com ela

    Na semana seguinte, a professora anunciava que quem tirou a nota mais alta foi Jovem Boêmio, que causava certo incômodo aos seus colegas. E em seguida ela recomendava que seus colegas devessem fazer outra prova para obter nota alta. Entretanto, seus colegas foram em cima dela, uma forma de protesto. Porque o método dela era muito cruel para eles – eles mesmos achavam que sim. Jovem boêmio saiu triunfado por não necessitar fazer outra prova.

  Aquele momento foi marcante para mim, Jovem Boêmio dizia a si mesmo enquanto escrevia sua história visualizando suas lembranças deleitáveis.

  Catorze anos depois, eles voltavam a se ver, ou melhor, se encontrar a convite da sua professora, que era tão culta quanto ele. Antes eles trocavam ideias pelo facebook, cuja rede social era inevitavelmente viciante para muitos. Depois do cinema, foram a um hotel para inaugurar a relação carnal deles. Mas isso foi em 2010, ou melhor, quatro anos atrás. E foi um clima romanticamente amigo. Ela foi minha professora e atualmente é minha amiga. Devo dizer que é um imenso orgulho tê-la como minha amiga e companheira de cinema e literatura. Ela sempre me dá muitas sugestões de livro ou filme. E me admira muito como escritor (de gaveta, ok). Eu faço a mesma coisa, ele dizia a si mesmo enquanto ela refrescava a memória do Jovem Boêmio.

   Ao terminar a história (embora o final fosse meio incompreensível), Jovem Boêmio parava para pensar: por que não ligo para ela para combinarmos um encontro como aquele?

Diadosurdo? Surdodioado? Dosurdodia? Dia do Surdo?

Por Diogo Madeira

 

  O jovem boêmio acabara de ter uma ideia, pra escrever sobre um surdo perambulando pelas ruas, por causa daquele dia do surdo (não surdo-mudo!). Ele foi correndo até o seu apartamento. Antes de sentar à sua máquina de escrever ele sacava três latas de cerveja da sua geladeira, que lembra uma dos anos 50 pelo design. O papel que ele havia começava a ser tocado pelas letras de metal, acarretando em barulhinhos proletariados:

  Um surdo, de 28 anos, aparentemente moreno, para vocês saberem, era super comunicativo. Ele não parava de render boas conversas em bares boêmios, o que era considerado o querido do bar pelas pessoas que frequentavam os mesmos bares que ele. Não era unicamente, que, ele usava a técnica estratégica: leitura labial. Mas também se expressava (muito bem, fala sério!!) tanto na escrita quanto na língua de sinais (eu quase ia escrever linguagem de sinais, o que era incorreto para os que atuam na área de surdez ou linguística). Mas ele se sentia orgulhoso de ser surdo? Ele não se manifestava a respeito. Mas dava pra notar que ele fazia questão de celebrar o dia do surdo sim. Mas que este dia não era daqueles idiotas, pois foi baseado em movimentos revolucionários ou sócio-culturais pelos surdos militantes, assim como o dia da mulher, para vocês entenderem melhor. Ele nasceu surdo conforme os médicos diagnosticavam e estudava em melhores escolas graças à educação precisa dada pelos seus pais. E por ser notado como surdo bilíngue (em Língua Portuguesa e Libras) sempre figurava em primeiros lugares em concursos literários – tanto em língua escrita quanto em língua de sinais, pois ele era craque em redação (em língua portuguesa!) segundo seus amigos mais próximos. Ele baixava a bola de que a língua de sinais prejudicaria a língua pátria porque entendia que era necessário sempre deixar a sua mente afiada, ou seja,  via o bilinguismo como essência linguística (embora não desnecessariamente obrigatório) para surdos. Sem falar que ele conquistava muitas mulheres surdas – sinalizadas, oralizadas, bilíngues e até implantadas! Segundo o relato dos seus amigos mais próximos, ele era plenamente aberto para dialogar com pessoas que possuíam ideologias diferentes em relação à surdez. De acordo com a confidência de uma amiga dele (mais íntima), ele chegava a dormir muitas vezes com uma mulher implantada, que era casada, em certos hotéis logicamente boêmios. Todavia, havia certa divergência entre eles especialmente sobre o dia do surdo. Ela dizia que era irrelevante o dia do surdo, visto que não tinha aquele orgulho (de ser surdo). Aquilo deixava o jovem surdo pensativo, por bom tempo, ou melhor, muitos sois posteriores, imaginam (eu mesmo falo!). A despeito disso, ele concluía que o dia do surdo era daqueles que foram brotados das lutas tristes e estressantes, aquelas coisas de revolução. Quem que achava o dia do surdo como partido daquele fanatismo surdo tinha seu direito de expressar o que pensava sim. Existia diversidade na surdez sim, no entanto, não era preciso desprestigiar o mesmo dia, uma vez que sempre que surgia uma nova cultura – no caso da cultura surda, por exemplo. Afinal, era  merecidamente lembrado o dia do surdo. Quando? Quando? Quando? Dia 26 de setembro!! Ou melhor, Dia do surdo na primavera! Este dia era direcionado aos que não escutavam, ou melhor, aos que APRECIAVAM a revolução surda. Esclarecendo melhor, este dia foi estabelecido quando a primeira escola de surdos foi fundada no mesmo período no Brasil, o INES – Instituto Nacional da Educação de Surdos.  Voltava-se ao assunto do jovem surdo. Teve um momento em que ele e seu amigo (que era surdo oralizado) em um bar discutiam o dia do surdo, e eles apresentavam algumas desavenças a respeito da relevância de celebrar o mesmo. Aquilo para o jovem surdo era normal, pois cada um tinha seu ponto de vista. Ponto de vista. Não obstante isso o dia do surdo se encontrava lembrado constantemente por muita pessoas, por entenderem como o fruto das lutas surdas. Em outro instante o jovem surdo dormia com uma surda bilíngue. De repente, enquanto o sol nascia, eles estavam explanando sobre o dia do surdo e achavam interessante o fato de o dia do surdo ser celebrado quando o dia 26 de setembro chegava. Porque eles foram instruídos pela educação diferente para enxergarem por outros ângulos o mundo dos surdos (eu detesto este termo, mas…). Prestes a ser encerrada esta história, o jovem surdo participava ativamente da comunidade surda e, no entanto, ao passo que, inclusive da majoritária. Ele publicava muitos livros. Ele não sabia o que era impasse, obstáculo, barreira, aquelas coisas ignorantes que muitas pessoas viam. Ok, mas e o orgulho surdo? Ele entendia que era mais um orgulho. Ou seja, ele não ponderava a surdez como doença, sim, ao menos no seu entendimento, a diferença linguística e no mais nada.

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As letras de metal paravam de cutucar o papel repleto de manchas literárias.

O jovem boêmio, cansado, decidira dar uma pausa ao seu trabalho. Foi taxado por uma mulher que estava no quarto dele, mesmo com o tom perceptivelmente diferente mas lindo (pelo menos) para ele: Meu amor, se está cansado, queres que eu faça uma boa massagem em você? Ela falava e sinalizava ao mesmo tempo. Aceito! Ele respondia sinalizando pra ela. A sua mulher era surda, ou melhor, surda bilíngue. Antes de iniciar a cena romântica, ele não deixava de sinalizar uma coisa importante à sua mulher: Hoje é dia 26 de setembro, certo? Feliz dia do surdo! Ela sorria e ainda falava: … ob… obrigado meu amor!

A inspiração momentânea

  Enquanto se dando conta de que estava inspirado graças à presença de sua namorada, o jovem boêmio resolveu parar de caminhar para dar um pulo no bar aparentemente boêmio pela decoração artística para poder escrever suas ideias no seu bloco de notas que sempre fora levado com ele em viagens, que era o ritual dele. A ação do escrevinhador começava:

  Fui à laranja. Mas não estou falando da fruta crua. Refiro-me ao suco de laranja que pedi. Ao meu ver o suco de laranja era idêntico ao corpo de Bettie Page. Atrevi-me a tomar esse suco de laranja e saí doente (no sentido de feliz). Tomei o táxi (naquele momento eu estava sem grana) e felizmente fui chutado do carro pelo taxista, o que me era uma ocasião menos embaraçosa. Todavia, o que era mais complicado era a minha mulher que estava no apartamento dela por mim para podermos ver o filme juntos, que comprei pela internet. Ela não tinha mais aquela paciência porque na maioria das vezes eu não cumpri meus deveres culturais, e, inclusive, ela chegou a almejar romper o relacionamento comigo. Será que desta vez vai acontecer de verdade?, pensei eu. Conquanto a minha relação com ela fosse tão saudável baseada na nossa química incansável, nem isso era suficiente para contestar a decisão da mulher de concretizar essa ideia , ou seja, não havia nada de anormal nesse assalariamento, o que garantia a longevidade amorosa a nós.

   Já terminou? – A namorada dele interrompeu o trabalho literário do jovem boêmio. Não… ainda não… e dê-me mais dez minutos, por favor – Respondeu suplicamente o jovem. Entretanto, a inspiração decidiu abandonar o jovem boêmio, daí ele não tinha mais o que deve escrever. Perdição total. Em vez de tentar escrever, o jovem boêmio, visivelmente frustrado, guardou o seu bloco de notas na mochila e dizia à sua namorada: Vamos voltar à nossa caminhada que eu havia interrompido por conta daquela inspiração? A namorada dele, mesmo sequer terminava seu suco de frutas vermelhas ainda, não pensou duas vezes e atendeu à sugestão repentina dele. Já que o intuito dele, obviamente, era trazer a inspiração de volta.

A porta na caneta

 

Por Diogo Madeira

A Caneta é jornalista e não para de colecionar prêmios de melhor jornalista. Segundo os críticos,  a escrita dela é muito “extraterrestre” no sentido de talento. Ela tem grande admiração por Vlado Herzog, o jornalista revolucionário assassinado no período da ditadura militar. Há boatos de que ela declina muitos convites – para ela considerados burgueses – para trabalhar na Globo, o que não lhe é pertinente. E o nome verdadeiro dela? Caneta. Coincidentemente, o seu nome se ampara ao jornalismo por gostar de escrever. Ela, por formidável que pareça, tem flexibilidade política, no entanto, sente-se bem trabalhando em jornais alternativos, especialmente relacionados à literatura, cuja paixão lhe é eterna desde pequena. A própria, além de escrever,  até desenha muito bem! (no mínimo faz ilustrações infantis). A Caneta é doutora em teoria da literatura. O seu tesão pelos estudos é perpétuo, algo que muitas pessoas não têm. (ela acha)

A literatura latina americana é a predileção dela por nascer no Brasil, bem no Rio Grande do Sul, que era a sondagem para transformá-lo num país, mas o negócio político não deu certo. Ela devora até quatro livros ao mesmo tempo. Mas quando tal palavra lhe é desconhecida? O dicionário ou o contexto frasal dá conta. Ela se dá bem nas entrevistas consideradas tensas, o que é a parte fascinante para seus colegas. Ela é eficiente em entrevistar personalidades fechadas. Por isso muitos jornais alternativos desejam contar com ela. Chega a hora da entrevista mais importante para ela. Ela tem de ir até a casa de uma mulher, segundo as fontes, considerada a informante autêntica sobre um escritor que se suicidara na época de 1960. Como de praxe, ela está preparada (sempre antecipa seu equipamento antes de ser chamada para o serviço jornalístico) para realizar a entrevista mais importante do sistema solar. Todavia, acontece que a mulher a ser entrevistada não deseja atender a porta, ou seja, bate a porta na cara da caneta depois de contemplá-la quando abriu lentamente a porta. A Caneta fica aborrecida porque tal coisa como essa nunca lhe afetara antes. Psicologicamente humilhada, ela cogita mudar de profissão. Mas para ela é difícil porque ela é uma caneta, cuja função que ela possa exercer é escrever textos.

O livro de Luis Fernando Veríssimo no hotel Arpini

Depois da aula da Pós, justamente no dia do meu aniversário (de 30 anos), fui diretamente ao Hotel rio grandino denominado Arpini (optei por ficar em Rio Grande, pois tinha a aula bem cedo do dia seguinte para evitar o desgaste mental). Pude dizer que foi muito engraçado ficar num hotel no dia do meu aniversário, mas ao mesmo tempo muito legal.

Quando eu estava no meu quarto a ponto de me preparar para o banho, no entanto, recebi um torpedo da minha amiga dizendo:

Estamos aqui, desça. Beijos.

Respondi imediatamente: Vou descer. Beijos.

Tinha três pessoas me esperando: duas mulheres e um homem. Duas mulheres foram boazinhas comigo, menos o homem. Talvez ele não tivesse o mesmo olhar político delas, talvez o desejo delas de me ver fizesse ele se sentir arrastado até estar no meu hotel para cumprimentar um jovem acadêmico. Um embaraço evidente nele, sem sugestões para rever aquela atitude.

Diante delas, recebi abraços calorosos incessantes. Depois o homem fez questão de me abraçar – fiquem ligados, ele era fanático pela Fórmula 1.

Foram 32 minutos e 22 segundos de conversa porque estava muito tarde para eles, pois haviam vindo da faculdade também.

Depois dos abraços e beijos (para elas) distribuídos, subi até o meu quarto e fui logo ao banheiro.

Cheiroso e mais leve, atirei-me à cama e peguei meu livro que eu trouxe para me fazer companhia para exterminar o tédio: Comédias para se ler na escola, dado pela minha amiga, que era fã de Luis Fernando Veríssimo também.

Praticamente engolido o livro em uma hora e poucos minutos por mim, peguei no sono. A ideia de ficar num hotel foi o melhor momento de ter feito mais um ano de vida. Graças ao Veríssimo, acordei inacreditavelmente renovado.

A Grande Princesa

   Aquela garota europeia. Aquela garota alemã. Ela de repente resolveu sumir do mapa digital.  Mas minutos depois ela apareceu. Minutos depois ela desapareceu. Surgiram uns boatos dizendo que ela estaria indo para a lua na qual o astronauta Neil Armstrong havia pisado pela primeira vez em 1969. Ela reapareceu, mas logo se dissipou como se fosse uma nuvem se desmaterializando. Mais uma vez, as fontes (confiáveis) afirmaram que ela estaria na lua construindo uma espécie de casa (os telescópicos altamente tecnológicos captaram uma coisa além da garota na lua). Uma amiga da garota que era insone confidenciou ao detetive que ela sonhara em ter um lugar tranquilo que uma praia. Os dias se passaram, sem notícias dela. As notícias se espalhando por todo planeta de que a garota supostamente teria um bebê conforme as imagens tiradas pelos telescópicos. Aquela notícia fazia com que os pais dela desmaiassem. Caso a suposição estivesse confirmada, quem era o pai? Elvis Presley foi descartado. Vários homens com quem a garota havia se relacionado também foram negados. Quando a polícia e os especialistas em vida extraterrestre se cansaram, o caso da garota foi arquivado, dado como assunto encerrado. A garota alemã era a Grande Princesa, talvez ela fosse a primeira mulher a ter bebê na lua.

Fica aqui meu carinho por escrito

     Todos sabem que escritor é sinônimo de produzir ideias literárias. Naquele dia em que se realizou o encontro (mais incomum para os que o jovem boêmio conhecia).  A mulher que o jovem ia encontrar era meiga e deslumbrante na questão da literatura. Ela era metida a escritora, e os escritos sempre o impressionavam. Ela era tão invocável quando se tratava dos assuntos complexos. O corpo dela, conforme o ponto de vista do jovem, era uma poesia indígena. O nome dela era Lana Lane. Ela e o jovem boêmio foram eventualmente inimigos em razão das desavenças ideológicas, no entanto, tempos depois, eles se amadureceram bastante graças à aspiração de letras literárias. Por isso que eles voltavam a se falar, embora as desavenças persistissem, porém controladas.  Eles se tornavam amigos.

    Finalmente Lana Lane e o jovem boêmio combinavam de tomar café a ponto de se verem pessoalmente pela primeira vez, o que era a coisa que causava medo às pessoas distantes (sabem como é, né?). Como eles moravam em estados diferentes, o jovem boêmio viajava ao estado dela – não por ela, sim para curtir as suas férias antes de retornar ao trabalho -, e durante a estada dele na terra da garoa eles conseguiam marcar um encontro via whatsapp, uma benção tecnológica. Era uma tarde ensolarada. Na casa das flores perto da avenida acordada (interpretada como movimentada). Lana Lane chegava primeiro, e o jovem boêmio precisava mandar um torpedo a ela avisando que ia se atrasar um pouco. Mas o tempo de atraso era pequeno devido à existência do metrô, cujo transporte facilitava muito a vida de muitos. Aparentemente ansioso, o jovem boêmio se encontrava com Lana Lane. Os sorrisos deles se falavam por uns segundos ao passo que a distância entre eles se reduzia. Depois eles emitiam tais coisas convencionais tipo oi, tudo bem, tudo certo e vamos. E depois da troca de abraços, eles foram ao local gastronômico cultural (aquele prédio era internamente híbrido, museu e cafeteria). A ideia da troca de presentes literários que eles haviam sugerido foi concretizada perante os cafés cariocas – café típico da terra da garoa.

    O café estava forte, mas foi açucarado pelo jovem boêmio. Lana Lane, ao contrário do seu amigo, curtia café forte. Começavam a conversar de verdade, mas a felicidade tomava a conta deles, visto que eles haviam se falado virtualmente por muitos anos. Kubrick foi o assunto momentâneo. Eles concordavam que Laranja Mecânica era o melhor filme do Kubrick em razão da criatividade cinematográfica. O jovem boêmio pedia outro café, e quando o café dele chegou Lana Lane que tinha jeito de brincalhona dava dezenas de saquinhos de açúcar ao seu amigo, pois percebia que ele não curtia café forte, ou melhor, café sem açúcar. Eles tinham uma coisa em comum: se formaram em Comunicação Social. Inclusive exibiam a intimidade aguda com a literatura e o cinema. Ela pegava o bloco de notas do jovem boêmio a ponto de querer deixar um registro:  “só para o caderno não ter sido em vão, na última instância… fica aqui meu carinho por escrito!”. Depois do feito, eles brincavam de tirar fotos, registrando os momentos do encontro – o jovem boêmio o considerava um dos melhores encontros que ele já teve em sua vida. Ao se despedirem, eles se abraçavam intensamente, cujo contato físico indicava o prazer galáctico. No seu apartamento, enfiado na sua máquina de escrever,  a tese que o jovem boêmio havia concluído: Os olhares opostos fortalecem a amizade deles graças à penetração dos que tinham se encontrado há pouco tempo à literatura de Milan Kundera. Obrigado, Kundera. Se não fosse por você, eu não conheceria Lana Lane.  O jovem boêmio fechou o texto com muita alegria. Antes de se atirar na cama, ele ainda dizia a si mesmo como se estivesse conversando com um fantasma: acho que não vou conseguir me esquecer daquele encontro mágico.  Ele até cogitava colocar o seu bloco de notas no qual Lana Lane havia deixado o seu registro num cofre, o que, para ele, era a coisa tão valiosa.